O Sorriso do Chandler

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Olares.

Outro dia eu estava no parque com a Juju tirando altas selfies aventureiras de patins e ela perguntou por que eu não estava sorrindo. Eu disse que era porque eu não gostava. Eu até tenho foto sorrindo, eu juro ter todos os dentes (menos um siso), eu só me sinto meio estranha mostrando minhas presas assim para uma máquina.

Aí ontem eu lembrei que eu tinha uma desculpa muito melhor para você, minha amiga.

Eu li para a pós um livro chamado Fantasmas do Cérebro e aprendi tanta coisa doida que esse foi um belo gancho para começar a compartilhá-las aqui.

Você se lembra do episódio de Friends em que o Chandler vai fazer umas fotos com a Monica, e ele não consegue sorrir naturalmente? Se você não se lembra, é um episódio de Friends em que o Chandler vai fazer umas fotos com a Monica e ele não consegue sorrir naturalmente. Esse episódio retrata o que acontece de verdade na minha (e nossa) cabeça quando alguém pede por um sorriso, apesar de ser sitcomicamente exagerado.

Existem dois tipos de sorriso: o natural e o mecânico.

E os dois vêm de diferentes caminhos dentro do cérebro.

Quando eu encontro um amigo querido na rua, um circuito é ativado. O autor do livro, o Dr. Ramachandran,  diz que esse circuito é assim: a mensagem visual passa pelos gânglios basais, depois atinge o sistema límbico (que cuida das emoções) e é retransmitida aos gânglios que orquestram sequências de atividade (sorriso) no músculo facial (sua cara). Esse é um sorriso natural, puro e sincero.

Já quando a Juju manda eu sorrir, sai uma careta. O pedido dela é entendido pelos centros superiores de pensamento, envolve o córtex auditivo e os centros de linguagem e é retransmitido para o córtex motor da frente do cérebro, especializado em produzir movimentos voluntários treinados como tocar piano e pentear o cabelo. Ou seja, sorriso forçado, falsiane e mecânico. Um belo Sorriso do Chandler.

O autor fala uma coisa que eu achei tão linda ❤️ Ele diz que apesar da simplicidade, o ato de sorrir  envolve uma cuidadosa orquestração de dezenas de diminutos músculos na sequências apropriada.  Por isso que,  para o córtex motor que não é especializado em gerar sorrisos naturais, sorrir é tão complexo quanto tocar Rachmaninoff sem nunca ter tido aula de piano.

A prova disso veio da galera com cérebro lesionado, afinal o autor é neurologista e não fotógrafo. Quando um derrame atinge o lado direito do cérebro (região que comanda movimentos complexos do lado esquerdo), surgem problemas no lado esquerdo do corpo. Então se você pede para um paciente que teve um derrame desses sorrir, ele sorri com metade da boca. Mas se ele encontrar um amigo querido, ele sorri com os dois lados da boca. A razão disso acontecer é que os seus gânglios basais (aqueles do sorriso natural) não foram danificados pelo derrame.

Eu leio essas coisas e acho tudo tão mágico, fascinante e…

*suspiro.

Juju, quanto te vejo, meu sorriso é natural, puro e sincero e é ele que você merece, não esse aqui:

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Arrasei na minha desculpa.

Um beijo para Juju e outro para você.

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